Ao andar na rua para ir ao banco, pensava na vida de uma cidade, na dinâmica que move as pessoas, na rotina e ritmo do quotidiano. As cidades não são pequenas nem grandes, bonitas ou feias, importantes ou insignificantes. As cidades são. São o que são quando se chega e serão o que serão quando se parte.
Caminhava eu para ir ao banco depositar um cheque e pensava. Pensava na importância que a minha cidade tem na minha vida. Ela pouco me dá agora. Não tenho trabalho, não consigo arranjar. Terei talvez de partir sem criar raízes. Talvez a minha cidade se transforme no meu país e eu tenha de partir. Aqui parece não haver nada para mim.
Fui, há duas semanas ao Centro de (Des)Emprego. A minha ideia era propor-me a fazer uma formação diferente daquele que já tenho, para ter mais hipóeses de encontrar trabalho. Não há nada para licenciados. Não há. Este país está a construir um futuro numa estrutura sem uma base segura.
Os agricutores têm de fazer formações para serem considerados verdadeiros agricultores ( como se já não bastasse a sabedoria que sentir a terra lhes dá). E eu, licenciada ( sem a sabedoria que o trabalho me poderia dar, porque simplesmente não arranjo um) não posso alargar a minha possível área de trabalho. Não posso aprender mais, aprender qualquer coisa mais prática, mais virada para o trabalho. Não. Tenho de continuar sem trabalho, a perder tempo. Licenciada!
2016/2017
Há 9 anos
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